quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Vídeo Viveiros de Castro
Neste vídeo o professor Viveiros de Castro fala sobre as populações nativas existentes antes da chegada dos europeus na América. Ele discute a estimativa populacional de nativos antes da presença dos europeus e o choque e a queda demográfica que se deu nesse contato e conquista. Fala também sobre o impacto das doenças trazidas pelos espanhois para o extermínio dessa população e a implicação disso no sucesso da conquista espanhola.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
As novas relações entre europeus, africanos e asiáticos nos séculos XV-XVI
As
novas relações no mundo do século XV, a partir das grandes navegações, terão
como ponto principal o contato entre culturas e costumes diferentes. Os portugueses
irão inaugurar a expansão para além-fronteiras de modo a buscar novos fiéis à
cristandade e novas relações de comércio, principalmente do comércio marítimo
do Oriente, entre a Costa Oriental da África e a Índia.
A
seguir, algumas imagens que podemos trabalhar a partir das novas relações entre
europeus, africanos e asiáticos nos séculos XV-XVI.
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No
mapa abaixo, destacam-se as rotas comerciais realizadas entre europeus,
asiáticos e africanos no século XIII. Ao longo dos séculos seguintes, novas
rotas serão descobertas e novas relações culturais, políticas e econômicas
serão realizadas.
A
partir do século XV, principalmente com as expedições de Diogo Cão (seta em azul
para o Congo) e Vasco da Gama (seta em verde), novos caminhos serão traçados
para o comércio até às Índias. Através do mapa abaixo podemos visualizar todas
as rotas marítimas que saíram do porto de Lisboa até a costa ocidental e
oriental da África e até o comércio com a Índia, no porto de Calicute e Cochim.
Comparando o mapa anterior com este, podemos denotar a mudança do “palco” das
relações comerciais no século XV, passando agora para o Oceano Atlântico.
Abaixo,
temos a representação do manicongo
(soberano) do Reino africano do Congo, no século XV, chamado de João I após o
batismo português. Ao lado, a esposa e rainha do Reino africano do Congo,
Mani-Mombada. Estas pinturas foram feitas pelo pintor Pierre Dublois, em 1776.
Percebam as vestes da rainha.
Através
da imagem abaixo podemos destacar trocas culturais entre os congoleses e os
portugueses a partir do contato das grandes navegações. As vestes de Mani-Mombada são semelhantes as vestes da rainha portuguesa D. Maria I.
Outro
exemplo de hibridismo cultural (trocas culturais) entre os portugueses e os
congoleses é a tradição dos reis negros na Festa de Nossa Senhora do Rosário e
São Benedito. Em Portugal, desde o século XV os negros escolhiam os reis para
celebrar a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, reunidos em irmandades
religiosas. A tradição de eleger reis vinha do antigo reino africano do Congo,
onde eles não herdavam o trono, mas eram escolhidos pelos nobres.
Abaixo,
temos uma pintura (1835) de Johann Moritz Rugendas, pintor alemão que no
século XIX viajou pelo Brasil retratando os costumes e práticas locais. A
pintura ilustra a tradição dos reis negros no Brasil, que recebeu o nome de congada.
Depois
de Diogo Cão, o rei de Portugal à época, D. Manuel I, enviou para o Oriente
africano uma expedição liderada por Vasco da Gama. O objetivo desta expedição
era conhecer e construir novas relações comerciais com os navegadores das Índias,
principalmente entrar em contato com o “Rei dos Mares” de Calicute, o Samorim, que na Europa já chegava a
fama.
Abaixo
temos um mapa que ilustra toda a expedição de Vasco da Gama. Desde o périplo
africano até a chegada ao porto de Goa, na Índia, e o contato com os japoneses,
em Nagasaki.
O
contato entre Vasco da Gama e o Samorim
possui diversas interpretações e representações ao longo do processo histórico.
Uma destas representações é a de José Veloso Salgado, “Vasco da Gama perante o
Samorim de Calicute”, de 1898, em que podemos ressaltar as opções políticas do
pintor ao retratar o contato. No centro, em destaque, temos Vasco da Gama,
posicionado de forma imponente, com trajes suntuosos e gesticulando enquanto os
indianos ao redor escutam atentos ao que ele tem para dizer. Já o “Rei dos
Mares”, sentado em seu trono, escuta também com atenção ao português.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Absolutismo Monárquico (Pinturas)
Seguem abaixo imagens de monarcas de Portugal, Espanha, Inglaterra e França. Cada um desses reis e rainhas têm em comum certa centralidade do poder em suas figuras sendo, por isso, considerados absolutistas, ainda que guardem particularidades e que contestações a seus governos tenham existido. A partir dessa breve exposição, das imagens abaixo e das aulas sobre Absolutismo Monárquico, de que maneira podemos entender a importância de se retratar esses personagens de forma suntuosa?
Monarcas Portugueses:
Dom Afonso V, século XV
Dom Sebastião, século XVI
Dom Afonso VI, século XVII
Monarcas Espanhóis:
Fernando II de Aragão e Isabel de Castelo, século XV
Felipe II de Espanha, século XVI
Felipe III de Espanha, Século XVII
Monarcas Franceses:
Luís XII, século XV
Henrique II, século XVI
Luís XIV, século XVII-XVIII
Monarcas Ingleses:
Henrique VII, século XV-XVI
Henrique VIII, século XVI
Elizabeth, século XVI-XVII
Jaime I, XVII
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Da Vinci's Demons
Segue abaixo o primeiro capítulo, adaptado, da primeira temporada da série norte-americana Da Vinci's Demons, que retrata a vida de Leonardo da Vinci. Ainda que a série apresente inverdades e uma realidade fantasiada, ela pode nos ajudar a refletir sobre elementos do renascimento cultural, como a valorização do homem, a preocupação em entender o mundo a partir da razão e experimentação, sem, contudo, que Deus deixe de existir. Ou seja, o papel de Deus nessa sociedade está se modificando, no entanto, ele continua presente e importante. Tais questões aparecem na fala do personagem Leonardo Da Vinci: "acredito que o homem irá voar e baseio essa suposição no fato de que Deus nos abençoou com mentes que são capazes de imaginar isso".
sábado, 23 de agosto de 2014
Antecedentes da Reforma Protestante na Europa do século XVI
Nas imagens abaixo podemos ver a contradição da Igreja Católica ao mesmo tempo em que a Igreja condenava o lucro e usura e defendia o preço justo apresentava grande suntuosidade.
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| Abadia de Cluny fundada no ano de 909 na França. |
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| Abadia de Melk, na Áustria, fundada no ano de 996, mas doada aos monges apenas no ano de 1089. |
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| Papa Gregório I, pontificado de 590-604. |
Outra característica marcante da Igreja Católica medieval era a corrupção do clero. Alguns exemplos são: a venda de indulgência e a simonia (venda de cargos eclesiásticos e de relíquias).
"O Ilustríssimo senhor Dom Frei Vicente Ortiz de Labastida, bispo de Tarazona, no dia 15 de outubro do anod de 1849 concedeu 40 dias de indulgência por cada Ave Maria, Salve ou oração que se rezasse diante da imagem de Nuestra Señora de la Cuesta, venerada em sua capela do povoado de Munébrega."
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| Espinho da Coroa de Cristo no Museu Britânico. |
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| Pedaço da madeira da cruz de Cristo exposta no Museu Britânico. |
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| Coroa de Cristo envolta em fino anel de cristal e ouro exposta no Museu de Notre Dame. |
São Francisco de Assis foi um dos religiosos que não concordavam com o comportamento da Igreja Católica da época. Ele fundou a Ordem Franciscana, uma Ordem religiosa mendicante formada por frades com foco na oração, pregação e evangelização, no serviço aos pobres e outras obras de caridade. Os membros dessa Ordem renunciavam a posse de qualquer bem, viviam dependentes de esmolas dos outros que conseguiam principalmente através de pregações.
São Francisco de Assis tinha uma relação muito intensa com a natureza e com os animais. No Cântico ao Irmão Sol ou Cântico das Criaturas, São Francisco chama o vento, a água, o sol, as estrelas, o fogo, a Terra e a morte de irmãos e os convida a celebrar a maravilha do mundo e a servirem o Senhor.
Cântico ao Irmão Sol
"Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados os que sustentam a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes á tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade"
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Humanismo e Antropocentrismo na
arte renascentista*
O
Humanismo foi um termo difundido no
século XV por um conjunto de indivíduos que, desde o século anterior,
esforçava-se por renovar o padrão de estudos das universidades medievais
dominadas por uma cultura clerical. O movimento humanista propõe os studia humanitatis (estudos humanos:
poesia, filosofia, história, matemática e eloquência) como uma forma de
revitalizar os estudos tradicionais. Eles questionam a cultura medieval pautada
numa submissão completa ao reino de Deus e ao poder da Igreja. Elaboram e
divulgam um novo código de valores e comportamentos, inspirados na antiguidade
greco-romana e afinados com os novos interesses de uma cultura urbana,
comercial e, marcada pela ascensão de um novo grupo social, a burguesia.
Uma
preocupação fundamental desses humanistas era com as capacidades físicas e
espirituais do homem, observando-o não apenas como um desígnio de Deus - ou
seja, um plano divino, sem autonomia na vida e no seu destino - mas como um
sujeito de sua história, dotado de poder de criação e ação no mundo natural. O
homem torna-se o centro das atenções desses humanistas e a essa atitude
questionadora sobre as possibilidades criativas e ativas do homem chamamos Antropocentrismo.
A
cultura humanística torna-se a base intelectual, filosófica e artística do
período da história do Ocidente europeu conhecido como Renascimento Cultural.
A Arte Renascentista
Nas
obras de arte do período renascentista podemos constatar uma convergência dos
principais aspectos dessa cultura humanística: a ciência, a filosofia, a história, a técnica, dentre outros. A arte
renascentista espelha os processos de evolução das relações sociais e
mercantis, pois é uma arte de invenção, de inovação e aperfeiçoamento técnico,
ela acompanha as conquistas da física, da matemática, da geometria, da
anatomia, da engenharia e da filosofia. Algumas das suas características
principais são: o antropocentrismo, o naturalismo, o uso da perspectiva, os
estudos anatômicos, os estudos de óptica, o uso da matemática (geometria), a
humanização do divino etc. Os artistas desse período negam os princípios da
arte medieval - arte simbólica com figuras exclusivamente religiosas, feita
para ser um instrumento didático - vista como uma arte estática, inalterável e
sagrada, tal qual a sociedade que ela representava. A arte renascentista, por
sua vez, apresenta uma nova concepção do saber e da relação com o sagrado
presente na sociedade urbana, comercial e burguesa desse período. Por toda
parte tem-se uma nova palavra de ordem: "Viver mais pelo sentido do que
pelo espírito".
*Adaptação do
texto: SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1994. – (Coleção
Discutindo a História).
Trabalho com obras de arte feito em
sala de aula - imagens e principais aspectos
- Contraste
entre a arte medieval e a arte renascentista
Pintura
Medieval
Cimabue. Maria entronizada com o menino, São Francisco, São
Domenico e dois anjos (século XIII).
Têmpera sobre
madeira, 133 x 81 cm.
Galleria degli Uffizi, Florença
1. Ausência da ideia de espaço
2. Desproporção entre as figuras
3. Arte simbólica com figuras exclusivamente
religiosas
Pintura
Renascentista
Raffaello Sanzio. Maria entronizada com o
menino e com santos,
1504-05.
Têmpera sobre madeira, 172 x 172 cm.
Metropolitan Museum of Art, New York
1. Racionalismo
(perspectiva)
2. Figuras proporcionais
3. Naturalismo
- Arte
Renascentista - uma
nova concepção do saber e da relação com o sagrado
Leonardo da Vinci. O Homem Vitruviano, 1492. Caneta, tinta, aquarela e metalpoint, 34,3 x 24,5 cm.
Gallerie dell'Accademia, Veneza, Itália.
Leonardo da Vinci. Estudos da proporção da cabeça e dos olhos. - . Caneta e tinta sobre papel, 19,7 x 16 cm.
Biblioteca Real, Turim, Itália.
Leonardo
da Vinci. Estudos de
anatomia.
1504-6. Caneta sobre papel. 25,3 x 19,7 cm.
Biblioteca Real, Turim, Itália.
1. Antropocentrismo
2. Naturalismo (anatomia)
3. Racionalismo (matemática)
4. Valores da antiguidade Greco-romana (estudos
de Vitrúvio)
_______________________________
Donatello. São Jorge. 1415-16. Mármore, 209 cm. Museo Nazionale Del Bargello, Florença,
Itália.
1. Humanização do divino (afetos – guerreiro)
2. Naturalismo (anatomia)
3. Valores da cultura Greco-romana (mármore +
monumentalidade)
_______________________________
Jan
Van Eyck. Retrato de
Giovanni Arnolfini e sua esposa, 1434. Óleo sobre madeira, 81,8 x 59,7 cm.
National Gallery, Londres, Inglaterra.
1. Temática burguesa (mercador)
2. Individualismo (retrato conjugal + assinatura do
pintor)
3. Racionalismo (perspectiva + estudos de óptica)
4. Nova técnica de pintura à óleo
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Mudanças intelectuais na Europa e o Renascimento cultural nos séculos XIV-XV
Mapa da Europa
Renascentista (Século XV)
O mapa abaixo
corresponde ao mapa político da Europa que destaca em vermelho as regiões
"centrais" do movimento renascentista, como parte da atual região da
Alemanha, o antigo Flandres (hoje Bélgica) e o norte da Itália. Deve-se ter
atenção que o Renascimento não ficou restrito às regiões demarcadas no mapa,
mas também chegou à Inglaterra, França e aos Estados Ibéricos (Portugal e
Espanha).
Itália renascentista (Século XV)
Mapa
político da Itália, do período renascentista. A Itália, berço do renascimento, tem como característica
fundamental a inspiração urbana e arquitetônica na Grécia e na Roma, através de
ruínas e esculturas da cultura clássica antiga. Fiquem atentos para o detalhe
que a Itália não se tornou o berço do movimento renascentista apenas pela
herança clássica das esculturas e pinturas, mas também pelo papel central das rotas comerciais
com o Oriente Médio, o desenvolvimento da burguesia local, o processo de
centralização das cidades e o fortalecimento das universidades.
Exemplos cultura clássica antiga na Itália renascentista
Um exemplo de cultura clássica antiga na Itália. Percebam a escultura de David, ao fundo. A representação humana, com os músculos bem delineados, característica do humanismo presente no Renascimento.
Outro
exemplo de cultura clássica antiga acima, o Coliseu em Roma, exemplo de arquitetura
antiga romana.
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